Filho Pródigo

null
Deixar aquele que é considerado o maior clube do Mundo para dirigir a selecção portuguesa pode, e deve, ser considerado um desafio de alto risco. A começar pelo conforto de estar na sombra de Sir Alex Ferguson. Depois pela perspectiva a curto/médio prazo poder suceder no cargo ao veterano escocês e herdar uma equipa feita, com chip de vencedor em toda a estrutura do United. Deixar um cenário de conjuntura favorável, onde sustenta alta reputação, sempre num ambiente e cultura propensos à sua forma de agir e trabalhar, com espaço e metodologia adequados, para abraçar um projecto onde o seu nome não gera total consenso, deve ter deixado Carlos Queirós dividido.
Talvez o chamamento da pátria tenha falado mais alto, mais alto até do que o salário que vai auferir nos quatro anos de contrato. Acredito que o prazer/saudade de voltar a ser número um de uma estrutura técnica tenha pesado na escolha. O facto de ter a oportunidade de provar a todas as vozes dissonantes que os troféus conquistados ao serviço de Sporting e Real Madrid (como técnico principal) e do Manchester United (como adjunto) não foram por acaso, pode ter inclinado o coração de Queirós para o regresso 15 anos depois. E por falar em regresso, o que convinha mesmo era mostrar a quem não deixou, que os muitos títulos conquistados ao serviço das camadas jovens portuguesas e que o lançamento de estrelas no mundo do futebol foram quase exclusivamente obra da sua competência, rigor, seriedade e sensibilidade. Um trabalho supostamente de continuidade, mas que foi abruptamente interrompido há 15 anos. Talvez agora, caso essa ruptura não tivesse acontecido, o título de vice-campeão europeu e um 4º lugar num Mundial soubessem a pouco.
Ainda sem comentários.