Raio-X: Juventus
Três anos depois, a Juventus está de regresso à Liga dos Campeões. O rigor e a astúcia do futebol italiano não a colocam, pelo menos nesta fase da temporada, no lote de candidatas ao troféu, mas o nome e o historial impõem considerável respeito a qualquer adversário. Já sem os nomes grandes da última passagem pela prova milionária (Ibrahimovic, Cannavaro, Thuram ou Emerson) é uma equipa muito diferente a que vai começar esta semana a luta europeia. A começar pelo treinador. A inteligência e sagacidade de Fabio Cappelo fugiram para Inglaterra e em Turim mora agora um mais prático e previsível Claudio Ranieri.
Como imagem de marca do futebol italiano, o 4x4x2 com a habitual segurança defensiva como principal suporte táctico da Juventus. E nesse aspecto, Ranieri não podia desejar melhor intérprete para a baliza que Buffon. O experiente guarda-redes de 30 anos continua com as qualidades bem apuradas e é o líder do balneário, a par de Del Piero e Nedved. À frente do internacional italiano, dois centrais que precisam ainda de tempo para melhorar a coordenação. Se o sueco Mellberg transpira eficácia e discrição, fruto de dez épocas entre o campeonato espanhol e inglês, o companheiro Chiellini precisa de apurar reflexos e tempo de entrada aos lances. O jogo do internacional italiano tem semelhanças com o de Materazzi: voluntarioso mas demasiado impeto, que nem sempre beneficia a equipa.
À direita, o adaptado Grygera, eficaz nas transições ofensivas e com escola de central para fechar ao meio a preceito os colegas de sector. No outro flanco, um mais comedido De Ceglie, revelação no futebol italiano na posição de defesa esquerdo. Formado na Juventus, aproveitou o estágio no Siena para ganhar ritmo para jogar num candidato ao título.
No meio-campo, mora uma dupla mais trabalhadora, com Sissoko e Polsen. O maliano de 22 anos é limitado tecnicamente mas compensa essa fragilidade com a entrega ao jogo e um pulmão capaz de aguentar ritmos altos durante 90 minutos. Ao seu lado, o oposto: Polsen, jogador de classe, rápido nas transições, com passes de longa distância. Uma espécie de farol de uma equipa que não usa um número dez clássico. Descaído para a esquerda, o veterano Pavel Nedved, que já sem a explosão de outros tempos, continua a querer assumir o jogo com diagonais e jogadas individuais. Como ponto de partida do flanco oposto, está Camoranesi. O italo-argentino, tal como o checo, gosta depois de pisar terrenos mais centrais para assistir ou concluir. Como dupla atacante, um italiano guloso pela baliza. Iaquinta, a viver a segunda época em Turim, vive na área e da área. O futebol do internacional italiano continua a privilegiar o erro do adversário e o excelente faro para marcar. Ao lado da elegância de Iaquinta, mora Amauri. Um brasileiro que chegou à Juventus vindo do modesto Palermo, mais operário e móvel que o colega do lado, mas com assinalável tendência para o golo.
Falta olhar para o banco e reparar que lá vivem jogadores como Del Piero, Trezeguet e… Tiago. O português continua a ser um dos proscritos de Ranieri, também muito por culpa do modelo táctico usado na Juventus. O internacional luso não é um organizador de jogo clássico, mas também não é um típico pivot-defensivo. O lugar de Tiago no jogo não entra no esquema táctico de Ranieri, que prefere jogadores mais defensivos no miolo do meio-campo, neste caso Polsen (na imagem) e Sissoko.
Ainda sem comentários.