Correr muito… mas mal!
A frase é de Quique Flores, no final do jogo com o Nápoles, e serviu para justificar, em parte, a derrota do clube na UEFA. Disse o treinador do Benfica que os jogadores entregaram-se, correram muito… mas correram mal. Ou seja, a atitude competitiva em campo foi insuficiente para uma abordagem correcta ao jogo. Faltou ao Benfica intensidade, cultura táctica e capacidade de leitura.
Para confirmar esta ideia, Quique Flores falou em falta de inteligência e de determinação, explicando que ‘às vezes corre-se muito, mas corre-se mal’. Está desta forma destruído mais um mito da tecnologia futebolística que pretende equivaler a qualidade dos jogadores às estatítiscas da distância percorrida em campo. Nada mais errado.
Um jogador que faz onze Quilómetros não significa, necessariamente, que tenha jogado melhor do que um que fez seis. Correr é essencial mas saber correr é diferente. Nos segredos do futebol actual, é importante descodificar não a distância percorrida por determinado jogador, mas antes, a distância, velocidade, dinâmica, trajectória que a bola teve sempre que tal jogador teve influência directa no jogo.
Pá, está mais que visto que o Quique Flores e o Jaime Pacheco não pensam da mesma forma. Lembro-me dum célebre jogo entre o Boavista e o Bayern em que o Beckenbauer comentou que se os alemães corressem assim, ganhavam a qualquer equipa. Dito isto, concordo com o Quique Flores. Correr muito nem sempre é correr bem. Gerir o esforço é, na maioria das vezes, mais inteligente e permite mais pressão no final das partidas. Isto, é claro, se o jogador em questão não for o Bosingwa. Aí, pode-se correr à vontade.