De fora para dentro, sem teatro!
Da efémera passagem de Casemiro Mior pelo Belenenses, a recordação que fica é a de um treinador que no banco de suplentes tem um comportamente calmo, tranquilo, demasiado sossegado para alguém que tem por obrigação agitar os jogadores dentro de campo. Sai Mior e entra Jaime Pacheco e a primeira reacção dos adeptos, normalmente, é: “Finalmente, alguém que grita no banco!” No fundo, a troca de um treinador passivo por um activo. Alguém que gesticula e não tem medo de dar espectáculo no banco de suplentes.
No futebol moderno, principalmente nos países latinos, habituámo-nos a ter de ver, forçosamente, alguém activo no banco, que contagie as bancadas e dê óptimos apontamentos jornalísticos, através de fotografias, rádio ou televisão. Fomos formatados para conceber que um treinador bom tem de estar em pé, sempre a falar com os jogadores. Ao invés, quem permanece mais tempo sentado no banco a ver o jogo do que aos saltos junto à linha lateral, não consegue comunicar.
São ideias erradas por vários motivos. Desde logo, porque o bom treinador prepara a equipa durante a semana, limitando-se a fazer ligeiros reajustes durante o jogo, dependendo da forma como este estiver a decorrer. Depois, porque não é garantido (bem pelo contrário) que a mensagem passe para o relvado. A fadiga física e emocional é incompatível com a apreensão plena de ideias. E há ainda a ter em conta que a intranquilidade vivida no banco é contagiosa, podendo inflamar os jogadors, levando-os a perder a calma e a tranquilidade necessárias. E por falar em inflamar, também as bancadas acabam por ser, muitas vezes, o espelho da contestação vivida no banco.
O sucesso de um treinador depende muito da forma como é preparada a equipa durante a semana e de como os jogadores têm de estar precavidos para enfrentar as várias possibilidades que o jogo lhes coloca. Quem sabe o que tem de fazer, sem ter de receber ordens, leva vantagem sobre o adversário.
Ainda sem comentários.