Respirar Futebol

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Vendaval catalão

 Ao fim de três jornadas, pedia-se a cabeça de Guardiola. Além de resultados incompatíveis com o talento individual dos jogadores, o nível de futebol apresentado colectivamente pelo Barcelona, não chegava a um patamar minimamente aceitável. Como o futebol não é uma ciência exacta, pediu-se paciência aos adeptos e os resultados acabaram por mostrar que a  decisão do presidente Laporta em manter inviolável a questão do treinador foi a mais acertada.

A tristeza deu lugar à euforia e o cenário de desgraça desapareceu, sendo agora bem visível um orgulho enorme na equipa da Catalunha. Justificação para a mudança, os golos! Muitos golos testemunhados nas balizas de Basileia e Almeria (5), Gijon e Atlético Madrid (6). A transformação do estado de espírito é uma das capacidades do futebol moderno. A melhor forma de apagar da memória um mau jogo é lembrar que a imagem pode ser rectificada poucos dias depois, no próximo jogo ao virar da esquina. E, voltando ao início do texto, que mudança de imagem aconteceu em Barcelona.

O sorriso voltou à Catalunha depois de Guardiola dar a Xavi a liderança do jogo. As chaves da crença recuperada cabem nas pernas e na cabeça do internacional espanhol.  De forma inteligente, Guardiola delegou no homem que agora ocupa a sua posição em campo a estratégia da equipa e o comando da máquina blaugrana. O relógio Xavi tem ao seu lado outra formiga com talento inesgotável: Iniesta. O funcionamento oleado de jogo tem no pulmão Xavi/Iniesta o segredo. Com tarefas mais operárias no laboratório, o marfinense Yaya Touré, funcionando como âncora que liberta os dois espanhóis para funções mais pensadoras. Na sombra do meio-campo, moram jogadores como Busquets ou Keita. 

É de um meio-campo forte e volante que o ataque vive. Messi, Henry ou Eto´o trocam de posição com a facilidade que confundem os adversários. O golo é só um pormenor num enorme vendaval ofensivo, que tem em Bojan, Gudjohsen ou Hleb sucessores à altura. Atrás, no início do bom espectáculo, a segurança dos centrais (Puyol e Rafa Marquez ou Milito ) e a vocação ofensiva de dois laterais (Dani Alves e Abidal ou Sylvinho). É nestes princípios de futebol a toda a largura, com domínio de jogo e frequentes e rápidas trocas de bola, sempre em movimento, que assenta o futebol de Guardiola. O futebol de qualidade leva-nos, por vezes, a viajar no tempo até um mago da táctica chamado Johan Cruyff, curiosamente treinador de Pep, no Barcelona.

Outubro 25, 2008 - Publicado por | Uncategorized

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