Respirar Futebol

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A figueira atrevida de Ulisses

naval2 Se é verdade que uma equipa reflecte em campo a imagem de um treinador, essa correspondência é perfeitamente visível na Naval 1º de Maio. De um lado, Ulisses Morais, o treinador. Do outro, onze anónimos guerreiros que conseguem mostrar que a qualidade por vezes, é muito superior a estatutos e orçamentos. Eis o futebol da Naval, claramente o espelho de Ulisses Morais. Treinador sóbrio, com carreira consolidada e sustentada em trabalho e organização. Dos escalões inferiores à Primeira Liga, foi queimando etapas, quase sempre com sucesso. Treinador metódico, que privilegia o rigor, sem esquecer a vertente humana, Ulisses encontrou na Figueira da Foz margem (entenda-se tempo) para poder trabalhar, consolidando um projecto que vai deixando um rasto de bom futebol por onde passa.

Da época anterior para a actual, a revisão do trabalho de Ulisses começou pelas laterais, depois das saídas de Mário Sérgio e China, que tinham estatuto de lugar cativo. Os mercados de França e do Brasil foram os alvos do treinador para dar mais experiência a um plantel que faz do colectivo a imagem de marca. Das habituais escolhas de Ulisses Morais, o centro da defesa é claramente uma das preocupações, com a dupla brasileira Diego/Paulão. Duas torres que dão garantias aos resto da equipa, com velocidade, desarme fácil e que sabem sair a jogar. No meio-campo, Bruno Lazaroni encontrou finalmente espaço na posição de pivot defensivo, ganhando o lugar ao experiente capitão Gilmar. À frente do brasileiro, dois franceses: o muro Baradji e a formiga Alex Hauw. É este tridente que dá equilíbrio à equipa, esticando-a nas transições ofensivas, e encurtando linhas nos momentos defensivos. À frente, dois alas puros (o speedy Marinho Gonzales e Davide) que fazem da velocidade a arma letal para furar as defesas adversárias e o killer instinct de Marcelinho, avançado que, apesar de jogar mais fixo, gosta de recuar permitindo as diagonais dos alas.

É esta a base do 4x3x3 de Ulisses Morais, sustentada em princípios que privilegiam a velocidade e o jogo pelos flancos, sem receio do adversário e onde o colectivo funciona na plenitude. Quando Ulisses Morais promete, antes dos jogos, que a Naval gosta de jogar “olhos nos olhos” e de “peito feito” é porque conhece bem os seus jogadores e tem certeza de que estes apreenderam a mensagem durante a semana. Um discurso aparente atrevido (e que funciona principalmente para dentro do grupo) de um treinador coerente com a sua personalidade e com a imagem positiva que vai deixando no futebol português.

Novembro 4, 2008 - Publicado por | Uncategorized |

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