Ineficácia, inaptidão ou azar?
Frustração, infelicidade, azar e injustiça fazem parte do rol de argumentações que os treinadores têm guardado sempre que precisam justificar uma derrota com um golo nos segundos finais do jogo. Muitas vezes são argumentos vazios, porque à partida, é sabido que o tempo extra de um jogo de futebol é determinado pelo árbitro e vale para as duas equipas. O que aconteceu ontem ao Braga, em Milão, acabou por ser a excepção. Bem pode Jorge Jesus queixar-se do factor sorte, porque sofrer um golo a 45 segundos do final da partida depois de uma prestação tão positiva é, no mínimo, triste. Mas pensando de forma mais fria e racional, chego a outra conclusão.
Se é verdade que o Braga jogou de forma equilibrada, foi tacticamente adulto e personalizado e teve até momentos em que foi superior, é correcto olhar para Ronaldinho como o pai da derrota bracarense? Não será mais razoável perceber que o incrível sentido perdulário da equipa portuguesa ajudou a escrever esta cruel história? Bastava a Renteria distribuir de forma mais equilibrada as suas qualidades para o Braga estar neste momento em festa. O avançado colombiano é forte no um-para-um, congela o jogo quando é preciso, encontra linhas de passe para servir os companheiros, consegue furar uma defesa de forma a aparecer em zonas de finalização em situação privilegiada e é astuto na desmarcação. No entanto, falta-lhe um pormenor para quem pisa terrenos mais avançados como ele: capacidade de finalização.
Um problema que não é de agora. A imagem de marca deste possante avançado de 23 anos continua a ser preenchida com a camisola do FC Porto, num jogo na Luz, em que falhou o golo da vitória a poucos minutos do fim porque trocou as pernas no momento de rematar e viu a bola sair ao lado da baliza de Quim.
Figura da sua selecção no Mundial de Sub-20, Renteria conheceu a fama no Internacional de Porto Alegre, treinado por Abel Braga. Em Portugal, procura agora uma segunda vida, depois de ha duas épocas ter feito alguns jogos pelo FC Porto, sem marcar qualquer golo. Redescobriu os caminhos das redes em França, no último ano, ao serviço do Estrasburgo. Ainda assim, o regresso a Porto foi adiado, com os portistas a acreditarem ser Braga o destino certo para afinar as qualidades do jogador. Para já, o primeiro passo foi conseguido, com a titularidade e uma importância grande no conjunto. No entanto, para fazer o upgrade de médio para excepcional jogador, terá de apurar as qualidades técnicas na finalização. Tem espaço (entenda-se idade) e um professor para isso, desde que queira aprender. Jorge Jesus tem uma clara tendência para dotar os avançados da indispensável qualidade de marcar, com Dady como mais recente exemplo.
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