Os nossos avançados
Magia, sal, alma e até orgasmo. Abundam as analogias para falar de golos, afinal o objectivo de tudo o que gira à volta de uma conversa sobre qualquer tema relacionado com futebol. É por isso que os marcadores de golos são tão procurados hoje em dia. Mais até do que os criadores, estrategas, defesas ou guarda-redes, os avançados assumem cada vez mais um papel importante no táctico e musculado futebol actual. Entre os nossos avançados – aqueles que em Portugal vão desfilando jornada após jornada - estão representadas as várias classes.
Na Liga Portuguesa, podemos catalogar quatro tipos de avançado: os rápidos, úteis para equipas que joguem essencialmente em contra-ataque. Os tecnicistas, habilidosos com capacidade para fintar e rematar de pronto. Noutro plano, temos ainda os chamados armários, ou seja, avançados mais fixos, aparentemente deselegantes , mas tremendamente eficazes na hora de finalizar, e ainda os cabeceadores. São avançados muito fortes no jogo aéreo, que normalmente ajudam a resolver muitos jogos. Na minha opinião, pode haver ainda um quinto exemplo ed avançado, a quem chamaria de avançado completo. São aqueles que conseguem reunir um pouco das quatro características acima mencionadas.
No primeiro caso, na escola de avançados rápidos, temos como exemplos maiores Djalma e Baba (Marítimo), Mateus (Nacional) e ainda Varela (Estrela da Amadora). Futebolistas com técnica, sentido de colocação em campo e faro para estar no melhor local para aplicar loucas correrias até à área, ora para marcar, ora para servir um colega.
No segundo nível de avançados, há aqueles em que a técnica está acima das outras características. Avançados astutos, esquivos e com capacidade para movimentar-se com e sem bola de forma a confundir qualquer defesa. Um deles vive na Figueira da Foz e cumpre a segunda época na Naval. É Marcelinho, marcador de golos… mas muito mais do que isso. Depois há também Roncatto (Belenenses) e Nené (Nacional): Depois, ainda com encaixe neste perfil, mas com características muito fortes para jogar fora de área e para servir a equipa, Nuno Gomes (Benfica) e Postiga (Sporting). Sobra ainda Wesley, que quando está mascarado de avançado, pode também ser um exemplo claro de técnica e habilidade.
No terceiro lote de avançados, temos os armários, que normalmente impõem o seu jogo pelo choque e pela luta. Hulk é um exemplo pela forma como fisicamente destrói defesas, mas Suazo (Benfica), Renteria (Braga) e William (Paços de Ferreira) encaixam melhor no tipo de avançado que trabalham em sacrifício da equipa, sempre na busca da bola e com capacidade para rápidas e eficazes transições defesa/ataque.
Por fim, temos os cabeceadores. Goleadores que fazem falta a qualquer equipa, principalmente nos lances de bola parada e que normalmente, até podem ficar conotados como toscos. Avançados à moda de Jardel, que voava sobre os centrais, e que escasseiam na Liga Portuguesa. Há bons cabeceadores, mas avançados que vivam apenas dessa qualidade, são muito poucos. Os dois Robertos (Leixões e Vitória de Guimarães) são, provavelmente, os melhores exemplos.
Depois, um pouco fora destes rótulos, mas encaixando um pouco em todos eles, surgem Lisandro (FC Porto) e Liedson (Sporting). Avançados completos que fazem a delícia de qualquer treinador.
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