Imperador vs Pipoca?
Não é fácil descodificar as linhas orientadoras da vida de Adriano. Se a maioria dos jogadores brasileiros inicia a carreira a pensar na entrada do futebol europeu, com todos os sonhos que esse mundo encantado representa, a de Adriano constitui autêntico case-study. O brasileiro, em pouco tempo, trocou a favela de Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, pela luxuosa cidade italiana de Milão, com a possibilidade de jogar num dos melhores campeonatos do Mundo. A pipoca, como era conhecido nos primeiros tempos de jogador no Brasil, cresceu e tornou-se Imperador em Itália.
Inter, Fiorentina e Parma deram a Adriano fama, luxo, muito dinheiro… e mulheres. Mas a felicidade e o sorriso nunca acompanharam esse crescimento desportivo e social. É como se estivesse fora da sua zona de conforto, ou seja, fora da favela. Como o próprio disse uma vez (numa gravação que fez sucesso no youtube) “amo a minha favela, não troco ela por nada, nem por ninguém”.
Com a morte do pai, em 2004, Adriano mergulhou numa profunda depressão. A bola deu lugar ao alcóol e a vida de luxo em Itália transformou-se em festas e noitadas no Brasil. O jogador perdeu a alegria dentro de campo, apesar das regulares chamadas à selecção brasileira. Ainda regressou a Itália, onde aparentemente recuperou, mas na última época, já com 27 anos, voltou a cair em desgraça. Apesar das oportunidades de Mourinho, Adriano quis deixar o Inter de Milão para voltar ao Brasil. O Flamengo deu-lhe a oportunidade de reconciliar-se com o futebol e para já, o saldo é positivo. Os 3 golos marcados frente ao Internacional, na 7ª jornada, devolveram o sorriso ao imperador, perdão, pipoca. Os adeptos do futebol (principalmente os brasileiros) agradecem a recuperação do jogador, mas fundamentalmente, do homem.
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