Sporting: pode ser que seja desta
Lembro-me bem do Paulo Sérgio como jogador. No Belenenses, época 91/92, Liga de Honra, tinha o avançado 23 anos. Ponta-de-lança, aparentemente frágil do ponto de vista físico, mas com raro sentido de oportunidade, tendo ajudado o clube a subir à 1ª Liga, onde continuou como titular. Era Abel Braga o treinador. Da mesma equipa, faziam parte Mauro Airez, Luiz Gustavo, Emerson e Gonçalves, entre outros.
Deixou depois o Belenenses e fez carreira pelos chamados clubes de segunda-linha, até terminar a carreira, no Olhanense. Aos 35 anos, pendurou definitivamente as chuteiras e no dia seguinte era treinador. No Algarve, e logo no primeiro ano, ganhou a 2ª divisão, Zona Sul, subindo à Liga de Honra, onde estabilizou o Olhanense em mais duas épocas, com um 9º e um 5º lugar. A subida à Primeira Liga ficou perto, mais uma vez no ano seguinte, ao serviço do Santa Clara. Ano e meio depois de chegar aos Açores, voltou ao Continente. No Beira Mar, ainda tentou a subida, mas voltou a ficar à porta, até aparecer Fernando Sequeira e o Paços de Ferreira.
Foi a porta de entrada da Primeira Liga, num clube que serviu como jogador e que deixou ano e meio depois, aliciado pelo convite (irrecusável) do Vitória de Guimarães. Em Paços, chegou à final da Taça de Portugal e obteve a manutenção, num início de época que se revelou muito intermitente. Este ano, o 7º como treinador (praticamente sem interrupções) foi dividido entre a Mata Real e a Cidade-Berço, com destaque para a eliminação do Benfica na Taça de Portugal – o Vitória foi a única equipa a vencer na Luz esta época, até ao momento.
Segue-se o Sporting, aos 42 anos, e para já com um enorme dose de cepticismo (para não dizer desagrado dos sócios do clube). Paulo Sérgio, que far-se-á acompanhar de Herculano e Alberto Cabral (além de um jovem técnico com passado ligado ao Sporting mas cujo nome não posso ainda revelar) vai seguramente trabalhar imune às críticas e ao rótulo de segunda-escolha.
Treinador astuto no banco, tacticamente forte, com boa leitura de jogo, e atitude e discurso positivos. Tem carácter disciplinador, é um líder e conhece bem o futebol e o mercado português. Resta saber se terá força e budget financeiro para fazer uma equipa à sua maneira ou se será triturado pela máquina kamikaze sportinguista, com os já habituais tiros nos pés, onde a qualidade dos treinadores é reduzida a quase nada, face aos muitos problemas internos.
Ainda sem comentários.