Braga: mudam as peças, mantém-se o sucesso
Há um ano, por esta altura, na liga portuguesa, tinha 52 pontos e lutava pelo título. Esta época tem menos 21 e compete pelo quarto lugar. Por outro lado, nas competições europeias faz história este ano, ao chegar aos quartos-de-final da Liga Europa (depois de uma participação meritória na Liga dos Campeões) enquanto no último ano foi eliminado na pré-eliminatória europeia.
Os factos indicam que o Braga não tem ainda estofo, nem estrutura, para lutar até ao fim pelas duas mais importantes provas. No entanto, depois do desinvestimento do plantel em Janeiro, poucos acreditariam que chegasse tão longe na Liga Europa, eliminando o gigante Liverpool. Para trás, ficaram ainda Celtic de Glasgow, Sevilha, Partizan e Lech Poznan, o que não só dá confiança, mas também legitimidade para pensar que é possível eliminar o Dínamo de Kiev.
Da equipa que venceu o Sevilha para a que eliminou o Liverpool, com oito meses de diferença, houve muitas alterações, não só na qualidade do plantel, mas até na forma de abordar os jogos. A começar na baliza. A mudança de Felipe pelo quase dispensado Artur Moraes não se revelou prejudicial. Bem pelo contrário. No eixo da defesa saiu o pilar e xerife Moisés, deixando Rodriguez quase órfão. Paulão é o substituto natural de Moisés mas as lesões têm-no prejudicado. Sobra Kaká, que chegou da Alemanha. Nenhum deles revela a qualidade do brasileiro, entretanto promovido a sub-capitão. Há ainda Aníbal, com o estatuto de quarto central.
Nas alas, Miguel Garcia compensa com experiência e vontade, a falta de velocidade e algumas abordagens mais suicidas nalguns lances. A favor, a inteligência posicional a fechar por dentro, equilibrando a equipa. Do outro lado, Elderson começou a época a todo o gás, mas perdeu fulgor e foi acusando alguma inexperiência e imaturidade. Sílvio é mais completo, mas continua a ser como lateral direito que melhor desempenho mostra. Há ainda Marco Ramos, contratado ao Lens, mas ainda não se mostrou.
Vandinho é o capitão e o pivot que equilibra toda a equipa. Sem ele, o Braga é diferente para pior. No plantel, havia Madrid. Agora há Custódio. Não são muitas as diferenças. Frente ao Sevilha, jogaram Salino e Luís Aguiar. Salino mais polivalente, dá cobertura defensiva mas também estica a equipa. Aguiar perdia-se muitas vezes na estratégia, apesar de uma técnica incrível. Em Inglaterra, jogou Hugo Viana, cuja imagem de marca é a precisão do passe em profundidade. Entre Viana, Salino, Vandinho e Custódio, as características posicionais e a intensidade de jogo não são muitas. Um perfil de jogador onde não encaixava Aguiar, mas se pode enquadrar Mossoró, a crescer de forma, depois de grave lesão. Pode ser o mágico da equipa, se tiver cobertura defensiva eficaz.
Nas alas, Alan é o dono da direita desde o início da época. Na esquerda, Matheus e a sua velocidade partiram para Leste, abrindo espaço a Helder Barbosa, jogador de recursos técnicos inegáveis mas que ainda não explodiu definitivamente. Sobra Paulo César, que se estiver em boas condições físicas, é a opção natural. Domingos Paciência gostava muitas vezes de usar três alas na frente (Alan, Matheus e César), com versatilidade e mobilidade e sem ponta-de-lança fixo. Nessa posição, Lima é claramente o dono do lugar, à frente de Meyong e Keyta.
Dos principais jogadores no início da época para agora, saíram Felipe, Moisés, Madrid, Luís Aguiar, Elton e Matheus. Ausências supridas por Kaká, Vinicius e Ukra. Menos qualidade individual, mas um balneário mais pequeno, aparentemente mais unido e seguramente, um grupo mais sólido, coerente e consistente, capaz de sonhar degrau a degrau na Liga Europa.
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