Desgaste, qual desgaste?
Muito se tem falado do desgaste físico a que as equipas estão sujeitas nesta fase da época, principalmente as que ainda estão envolvidas em várias competições, como são os casos de Benfica e FC Porto. A pretensa fórmula de poupar jogadores em determinados jogos, para usá-los de forma plena nos chamados jogos prioritários é um dos temas mais debatidos no futebol português, aparecendo quase sempre de forma inevitável a comparação com o futebol inglês e a carga a que os jogadores neste campeonato estão sujeitos.
A recuperação física, a fadiga, a acumulação de jogos e a rotação de jogadores caíram no léxico do futebol. Nesta fase da época, o Benfica é a equipa que está envolvida em mais competições. Talvez por isso, tenha surgido a ideia (errada) de que é a que mais jogos tem esta temporada. Os quartos de final da Liga Europa, a meia-final da Taça de Portugal, a final da Taça da Liga e a luta pelo título no campeonato talvez tenham alimentado esta ideia, reforçada com o facto de Jorge Jesus já ter feito alguma rotação na equipa.
No entanto, é o FC Porto quem tem mais minutos jogados. Ambas as equipas têm 24 jogos para o campeonato e 5 na Taça de Portugal, além de um na Supertaça. Até aqui, tudo igual. A diferença surge nas competições europeias (Benfica 10 jogos – 4 na Liga Europa e 6 na Liga dos Campeões contra FC Porto 12 jogos – 0 na Liga dos Campeões e 12 Liga Europa) e na Taça da Liga (Benfica 4 jogos e FC Porto 3 jogos). Resumindo: 45 jogos para o FC Porto até esta altura e 44 para o Benfica.
O mais curioso é perceber que nesta altura da época, a equipa do Benfica parece mais fatigada do que a do FC Porto. Não querendo entrar em questões de treino nem em metodologia de trabalho ou até motivacionais, a verdade é que André Villas-Boas tem a equipa mais fresca física e psicologicamente e quando faz alterações no onze-tipo, fá-lo de forma cirúrgica e apenas uma posição por sector (Otamendi ou Maicon, Guarin ou Fernando ou Belluschi e James ou Varela) enquanto Jorge Jesus tem aplicado alguma rotatividade, principalmente no meio-campo e nas alas, poupando jogadores como Sálvio, Gaitan e Saviola.
Ainda sem comentários.