AVB dois anos depois!
25 de Outubro de 2009, Estádio do Dragão, Porto – Académica, 8ª jornada. Até aqui, tudo normal. A novidade, nessa noite, estava no banco da equipa visitante. André Villas-Boas cumpria o primeiro jogo como treinador principal para o campeonato. Tinha chegado a Coimbra duas semanas antes e apanhava uma equipa esfrangalhada, sem vitórias e destacada no último lugar. Para trás, um estágio de oito anos com José Mourinho, no Porto, Chelsea e Inter. Quis o destino que o primeiro jogo oficial fosse no local que, meses depois, viria a ser a sua “cadeira de sonho”.
Desse jogo, resta ainda alguma memória. O Porto venceu e rezam as crónicas que o 3-2 final é representativo das dificuldades que a equipa treinada por Jesualdo Ferreira teve para vencer a Académica. Na altura, mais do que o resultado, ficaram os elogios à atitude da Briosa, com uma postura positiva, concentrada e muito desinibida, para quem estava no último lugar da tabela. Ocupação certa dos espaços e conhecimento total da manobra do adversário foram qualidades detectadas no primeiro teste feito à carreira de Villas-Boas. A partir daí, é o que se sabe. Sempre a subir, na Académica e na carreira. Até ao Chelsea, onde persegue o sonho da Champions e da Premier League. Aos 34 anos.
Para a história, ficam o primeiro e o mais recente onze de André Villas-Boas. Eis as diferenças:
Ricardo vs Cech
Pedrinho vs Bosingwa
Berger vs David Luiz
Orlando vs Terry
Emídio Rafael vs Ashley Cole
Cris vs Lampard
Tiero vs Mikel
Nuno Coelho vs Raúl Meireles
Lito vs Sturridge
Sougou vs Mata
João Ribeiro vs Drogba
Um Pastore Iluminado
Ano: 1994. Acontecimento: o Paris Saint Germain sagrava-se campeão francês pela segunda vez na sua história. Figuras: Weah, Raí, Ricardo Gomes, Valdo ou Ginola. Treinador? esse mesmo: Artur Jorge! Na altura, estavam os parisienses longe de imaginar que seria esse o último campeonato conquistado antes de uma travessia no deserto que dura há – pelo menos – 18 anos. Nesse mesmo ano, uma criança de 5 anos começava a ver numa bola de futebol um brinquedo especial. Chamava-se Javier Pastore e crescia na cidade argentina de Córdoba. Nessa altura, o rapaz não sonhava que seria, quase duas décadas depois, o símbolo de esperança de uma das mais belas cidades da Europa.
O Paris Saint Germain lidera isolado o campeonato francês, ao fim de 10 jornadas, e a referência máxima dessa conquista tem um nome: Pastore. Agora com 22 anos, o argentino é o símbolo máximo do clube, dando razão a quem decidiu comprá-lo por mais de 40 milhões de euros ao Palermo, tornando-o no jogador mais caro no futebol gaulês. El Flaco tem 5 golos na liga e nenhum deles é de bola parada. Número interessante para um médio.
Mas resumir Pastore apenas aos golos é injusto. O argentino é muito mais. É futebol dos pés à cabeça, tanto a pensar como a executar. Quer seja a partir de uma ala em diagonais para o meio (como nos primeiros jogos ao serviço do PSG) ou mais atrás, no meio, num falso 10 que preenche todo o (meio) campo. Finalmente parece estar encontrada a posição certa para o argentino – 9 vezes internacional. No meio-campo, zona central, como elemento mais cerebral da equipa. É aqui que o falso-lento Pastore mais rende e ilumina a principal equipa da cidade-luz. Rumo ao título que foge há 18 anos.
7ª jornada – destaques
A SURPRESA - A construção do NOVO SPORTING, à imagem de Domingos Paciência, mostra já processos mais sólidos. Pelo segundo jogo consecutivo com menos um elemento, viu-se uma equipa mais inteligente tacticamente, mais solidária, mais operária e com uma maior noção sobre o conceito colectivo. A MELHOR DEFESA do campeonato mora em Aveiro! Dois golos sofridos em sete jogos (só Schaffer e Ricardo Silva bateram Rui Rego) mostram a coesão sólida de um colectivo, que tem em Hugo o principal pilar!
O AUTO-GOLO –Vítor Pereira voltou às vitórias (0-3 em Coimbra) e dá a ideia de que desde que não invente muito, o FC Porto parte como favorito em qualquer jogo. No entanto, torna-se complicado perceber porque Walter não joga mais vezes. Mais do que discutível a opção do brasileiro como titular ou suplente, é a decisão estranha de NEM SEQUER TER SIDO INSCRITO NA LIGA DOS CAMPEÕES.
O PORMENOR – O REGRESSO DE MANUEL CAJUDA ao futebol português. É o treinador no activo com mais jogos na liga – 467. Podemos discutir e contestar as suas ideias e opções tácticas mas a sua presença é uma lufada de ar fresco. O discurso, as conferências de imprensa e a forma de estar, teimam (positivamente) em fugir aos padrões formatados, o que é uma boa notícia. O EQUILÍBRIO NA FRENTE DA CLASSIFICAÇÃO, com os primeiros cinco classificados separados por 3 pontos. Distância tão curta na frente, à sétima jornada, já não era vista há cinco temporadas.
O GOLO – O segundo do Vitória de Setúbal frente ao Rio Ave. Mais do que o remate artístico de Hugo Leal, foi a construção da jogada, entre Miguelito, Pitbull e Jorge Gonçalves até chegar ao pé direito do número vinte sadino . Mais importante ainda: deu os 3 pontos ao Vitória de Setúbal, num jogo complicado, a poucos minutos do fim.
O 11 DA JORNADA
