Outras estrelas: Rui Patricio
Está a cumprir a quinta época como titular da baliza do Sporting, a terceira como totalista absoluto. A caminho dos 24 anos, Rui Patrício há muito que deixou de ser olhado com desconfiança, desfazendo a imagem de um guarda-redes com potencial mas muito irregular, capaz de fazer grandes defesas e de sofrer golos… estranhos! Longe vão os tempos em que Rui Patrício era sinónimo de intranquilidade ou irregularidade. Está mais maduro, mais constante e mais adulto, sendo justo dizer que já faz parte daquele restrito lote de guarda-redes que dão pontos à sua equipa no final do campeonato, a exemplo de outros na liga, aliás.
De eterna promessa, passou a certeza, dando razão aos últimos treinadores do Sporting, que nunca tiveram dúvidas em apostar nele como titular inquestionável. Aos poucos, e com enorme força mental, Rui Patrício impôs-se no Sporting e, com naturalidade, também na selecção, a tal ponto que, neste momento, é a principal referência nacional neste posto específico, despertando mesmo a cobiça de clubes internacionais. Com o Europeu à porta, e a titularidade muito bem encaminhada, Rui Patrício pode ser o próximo produto Made in Alcochete a emigrar.
O regresso do “senhor” bigode
A década de 80 ficou marcada, no futebol português, pelo Euro-84, pelo Mundial do México e consequente caso-saltillo, pelas conquistas mundiais do FC Porto, pelo Benfica finalista da Taça dos Campeões, pelo primeiro título mundial sub-20 de Portugal e ainda pelo aparecimento de jogadores como Futre ou Rui Barros. De maneira paralela, até meados da década de 90, começava a ganhar forma a nova imagem de marca do treinador português: o bigode!!
De Artur Jorge (Porto e Selecção) a Toni (Benfica). De Jesualdo Ferreira (Benfica e Amadora) a Vítor Manuel (Académica, Penafiel, Braga). De Vitor Oliveira (Paços Ferreira e Portimonense) a Carlos Manuel (Salgueiros e Sporting). Treinador que se prezasse tinha de ter bigode! Obrigatório ou inerência à profissão, persistiu o enigma. Certo é que houve épocas em que a Primeira Divisao parecia um festival do bigode…
Mais nomes? Fernando Santos (Estoril e Amadora) António Oliveira (Sporting e Selecção), Nelo Vingada, Carlos Queirós (Selecção), Rodolfo Reis (Tirsense e Gil Vicente), Professor Neca (Paços Ferreira e Famalicão), Carlos Brito (Rio Ave), Manuel Machado (Moreirense), João Alves (Amadora e Belenenses) ou José Romão (Famalicão e Penafiel). Com mais ou menos pêlo, uma característica era comum a todos estes (e mais alguns) entre as décadas de 80 e 90: o tão famoso bigode do treinador português!
Uma tendência que foi morrendo gradualmente, com os últimos anos a registarem exactamente o oposto. Mudou a imagem do treinador (e do homem) português. Do bigode mais ou menos farfalhudo, passou-se à imagem de metro ou até retrossexual, com a barba de três dias (e nalguns casos, o colarinho da gabardina para cima) a ditarem a regra. Até que, vindo do longínquo Vietname, aterra Henrique Calisto (na foto) em Paços de Ferreira. Mais de dez anos depois, regressa a Portugal, mas mantém a mesma imagem de quando saiu. Resta agora esperar se será Calisto a actualizar o novo estereótipo ou se a moda regressa e começamos a ver Vítor Pereira, Paulo Bento ou Jorge Jesus com bigode! Ou então, nenhuma das duas…